Desde que o open finance entrou em vigor em 2020, quase 60 milhões de pessoas físicas já compartilharam seus dados financeiros com diferentes instituições. O número de consentimentos (ou seja, de compartilhamentos dessas informações) ultrapassa os 91 milhões, segundo dados da consultoria Bip. O levantamento ainda traz um dado curioso: as empresas que mais receberam dados são bancos digitais e fintechs.
O ranking das instituições que mais receberam informações financeiras de pessoas físicas é encabeçado pelo Nubank. O banco digital recebeu 22,9% das autorizações dos clientes para que ele consulte seus dados em outras instituições. Na sequência, aparece o Mercado Pago, com 15%. A Belvo IP, uma fintech especializada em soluções de open finance, ocupa o terceiro lugar, com 13% das informações. Na sequência, vêm PicPay, com 9,3% e Klavi, com 9%.
O primeiro “bancão” que aparece no ranking é a Caixa, com 6,1%. Depois, aparecem Itaú, com 5,4%; Santander, com 5,2%; Banco do Brasil, com 5,1% e Bradesco, com 3,4%.
Entre as pessoas jurídicas, o ranking muda. A Cloudwalk lidera com 19,5%. Na sequência, aparecem Mercado Pago (18,1%); Santander (14,7%); Banco do Brasil (12,8%); Nubank (8,7%); Belvo IP (8,7%); Itaú (4,3%); Caixa (4%); Bradesco (3,1%) e Sicoob (2,5%).
Pedro Godoy, gerente de financial services da Bip Consultoria, explica que o número de consentimento está atrelado a uma série de fatores, como os próprios serviços e ferramentas desenvolvidos por cada instituição e até mesmo o perfil de clientes.
“Os bancos digitais estão voltando mais esforços na obtenção dos consentimentos de pessoas física, em detrimento de pessoas jurídicas. Isso se reflete nos casos de uso desenvolvidos pelas instituições focados principalmente para PFs, como por exemplo os agregadores de dados, que mostram o saldo que um cliente tem em diferentes instituições em um só lugar. Já alguns ‘bancões’ estão desenvolvendo casos focados em PJ, como ferramentas de compartilhamento de dados para melhorar a analise de crédito em alguns banco. E com isso elas vêm tendo uma boa aceitação pelos seus clientes”, diz.
O que é o open finance?
O open finance é uma iniciativa do Banco Central que prevê que os seus dados pertencem a você mesmo e você deve compartilhar com quem quiser. Na prática, isso significa que existem sistemas e plataformas de dados que podem ser acessados pelos bancos, pelas fintechs e outras instituições financeiras e quem decide quais delas podem ver os seus dados é você mesmo.
Portanto, supondo que uma pessoa tenha uma conta no banco X, só essa instituição é capaz de ver as movimentações financeiras desse cliente lá. Com o open finance, ele pode autorizar que outra companhia tenha acesso a esses dados.
A ideia do cliente compartilhar seus dados com diferentes instituições é fazer com que elas o conheçam melhor. Afinal, elas vão saber como é a vida financeira dele, se ele costuma pagar suas dívidas, se ele tem dificuldade em conseguir crédito etc. A partir daí, elas poderão oferecer produtos e serviços que acreditam que sejam bons para ele e, de repente, com taxas melhores do que as que ele teve acesso até então.
A ideia é aumentar a competitividade entre as instituições. E o resultado de um aumento de competitividade tende a ser serviços melhores e mais baratos para os clientes.
Fonte: Valor Investe